O data center de 20 bilhões de libras da Drax ainda é uma fase de 100 MW
Em 3 de novembro de 2026, a Drax disse ter assinado um acordo para desenvolver uma parceria com a Brookfield e a Radiant, para um data center de IA na sua usina em Yorkshire. Os 20 bilhões de libras são uma estimativa da Brookfield para o investimento potencial, com chips incluídos. Só a primeira fase é chamada de meta. As duas seguintes são chamadas de ambição, e a Fase 1 ainda depende de licenças, de um cliente e de decisões de investimento.
Publicado
Em resumo
As citações deste texto são traduções minhas do inglês. A Drax opera a usina Drax Power Station, em Yorkshire, no norte da Inglaterra. Em 3 de novembro de 2026, publicou pelo serviço de notícias da Bolsa de Londres que havia "assinado um acordo para desenvolver uma parceria estratégica" com a Brookfield e a Radiant, a plataforma de infraestrutura de IA da Brookfield sediada no Reino Unido. A meta é um data center de mais de 1 gigawatt (GW). A manchete da CNBC naquela manhã dizia "Brookfield planeja data center de IA de 27 bilhões de dólares em usina britânica".
O comunicado diz menos. A Brookfield estima que o investimento potencial total, incluindo chips semicondutores, pode passar de 20 bilhões de libras. Dessa estimativa, a Brookfield põe 2,5 bilhões de libras iniciais na Fase 1, que mira até 100 megawatts (MW) a partir do início de 2028. A Fase 1 ainda depende de licenças, de um cliente, de contratos comerciais e da decisão final de investimento de cada parte. As fases seguintes aparecem, cada uma, como uma "ambição". Minha leitura: o que existe hoje é um plano de 100 MW com condições, sob uma estimativa muito maior.
Principais achados
- Em 3 de novembro de 2026, a Drax disse ter "assinado um acordo para desenvolver uma parceria estratégica com a Brookfield e a Radiant" para um data center de IA na Drax Power Station, com meta de mais de 1 GW. #
- A Brookfield estima que o investimento potencial total, incluindo chips semicondutores, pode passar de 20 bilhões de libras, com 2,5 bilhões iniciais como parte da Fase 1. #
- A Fase 1 mira até 100 MW, em operação a partir do primeiro trimestre de 2028. A Fase 2 (500 MW, de 2028 a 2031) e a Fase 3 (depois de 2031) aparecem, cada uma, como uma "ambição". #
- A Fase 1 depende de licenças urbanísticas, regulatórias e de rede, de um cliente aceitável, de contratos comerciais e da decisão final de investimento de cada parte. #
- O contrato da Drax com o governo britânico, de novembro de 2025, permite que ela peça até 500 MW de capacidade para um data center entre abril de 2027 e março de 2031, se o governo e a Low Carbon Contracts Company concordarem. #
A história completa
A Drax Power Station já queimou carvão e hoje gera energia com biomassa. Em 3 de novembro de 2026, a Drax publicou um comunicado regulatório sobre um data center no terreno da usina. Li o comunicado e a página do projeto. Tudo abaixo vem desses dois textos, salvo quando digo que é leitura minha.
O que foi assinado
O comunicado diz que a Drax "assinou um acordo para desenvolver uma parceria estratégica com a Brookfield e a Radiant". Três grupos têm papéis. A Radiant cuida do projeto e da busca de clientes. A Drax cuida do terreno, da integração com a energia e do licenciamento. O capital e a operação vêm de uma "joint venture de infraestrutura de IA entre Brookfield e Qai anunciada em 2025". O comunicado descreve a Qai como uma empresa de tecnologia "sediada no Catar".
Minha leitura: um acordo para desenvolver uma parceria é um passo inicial. O comunicado não traz nenhum valor que alguma das partes tenha se comprometido a pôr.
Três fases, uma meta e duas ambições
| Fase | Tamanho | Quando | A palavra do comunicado |
|---|---|---|---|
| 1 | até 100 MW | a partir do início de 2028 | meta |
| 2 | 500 MW | de 2028 a 2031 | ambição |
| 3 | não informado | depois de 2031 | ambição |
O resumo do comunicado chama a Fase 2 de 500 MW adicionais. O detalhamento e a página do projeto falam em 500 MW de capacidade, sem "adicionais".
A Fase 1 usaria energia direto da rede. As Fases 2 e 3 usariam energia direto dos geradores da própria Drax, sem passar pela rede, num contrato de fornecimento de longo prazo e "sujeito às autorizações necessárias". Nas minhas palavras, um megawatt aqui é a potência elétrica que o data center poderia usar. Pelas minhas contas, a Fase 1 é no máximo um décimo da meta de mais de 1 GW.
De onde vêm os 20 bilhões de libras
O número é uma estimativa da Brookfield, como a Drax a relata. A frase inteira diz: "a Brookfield estima que o investimento potencial total, incluindo chips semicondutores, pode passar de 20 bilhões de libras, com 2,5 bilhões iniciais como parte da Fase 1". Três palavras pesam. É uma estimativa, é um potencial, e inclui os chips. Ou seja, os 20 bilhões de libras contam os computadores dentro dos prédios, não só os prédios e a energia. Pelas minhas contas, os 2,5 bilhões de libras ligados à Fase 1 são 12,5% dos 20 bilhões.
A reportagem da CNBC converteu o número para 26,8 bilhões de dólares, e a manchete arredondou para 27 bilhões. O texto da reportagem também traz as condições da Fase 1. Minha leitura: a manchete transformou um potencial num plano. A página do projeto da própria Drax mantém a palavra potencial, mas deixa os chips de fora. Ela mostra "20 bilhões de libras" sobre as palavras "investimento potencial total no projeto", e a página não fala em chips em nenhum momento.
As condições da Fase 1
A Fase 1 depende de licenças urbanísticas, regulatórias e de rede, de "um cliente aceitável", de contratos comerciais e da decisão final de investimento de cada parte.
A Radiant vai buscar compromissos de clientes âncora antes de começar a obra. O pedido de licença da Fase 1 está em preparação. Uma consulta pública deve começar em novembro de 2026. Minha leitura: em 4 de novembro de 2026, a Fase 1 não tem cliente nomeado nem decisão final de investimento em nenhuma fonte pública que encontrei.
A questão da energia
O comunicado põe a Fase 2 ao lado de um contrato com o governo. Em novembro de 2025, a Drax assinou um Contrato por Diferença com o governo britânico. Nas minhas palavras, esse tipo de contrato fixa um preço garantido. Quando o preço de mercado fica abaixo, o gerador recebe a diferença. Quando fica acima, o gerador devolve a diferença. Este cobre cerca de 6 terawatts-hora de energia de biomassa por ano, de abril de 2027 a março de 2031. O comunicado diz que isso equivale a cerca de 30% da geração de base anual da usina, com seus 2,6 GW de geração ativa.
O contrato permite que a Drax peça até 500 MW para um data center nesse período. O pedido fica "sujeito a acordo com o governo britânico e a Low Carbon Contracts Company". A decisão leva em conta "o custo-benefício para os consumidores, a segurança energética e a sustentabilidade". O comunicado não diz que esse acordo foi dado. Minha leitura: a Fase 2 se apoia nesse contrato. Os dois envolvem 500 MW, e os períodos se sobrepõem.
O que não consegui verificar
- A estimativa de 20 bilhões de libras. O cálculo da Brookfield não foi publicado. O comunicado não divide o valor entre prédios, energia e chips.
- A joint venture de 2025. O comunicado a cita, mas não abri esse anúncio. Não tiro dele nada além das palavras do próprio comunicado. A nota de rodapé traz o título desse anúncio, que fala de uma parceria de 20 bilhões de dólares. Pelo título, esse número é da joint venture como um todo, não do projeto da Drax.
- Empregos. A Drax fala em proteger "centenas de empregos" e a Brookfield em "muitos empregos diretos e indiretos". O comunicado não traz números.
- O cliente. Nenhum cliente é nomeado.
Fontes
- release Drax Group plc, Strategic partnership for GW-scale data centre, RNS 5051B (November 3, 2026) (cópia arquivada)
- page Drax, Powering AI and Data Centres (updated November 2026) (cópia arquivada)
- article Brookfield plans for a $27 billion AI data center at UK power station (CNBC, November 3, 2026) (cópia arquivada)
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