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O lado do PL teve quase todas as seções zeradas dos três últimos segundos turnos presidenciais

Um estudo achou 106 seções em que Flávio Bolsonaro não teve nenhum voto no segundo turno de 2026. Refiz a contagem com os arquivos públicos, comparei com 2018 e 2022 e separei o que esses arquivos mostram do que não mostram.

9 min de leitura

Em resumo

Em 27 de outubro de 2026, a Folha de S.Paulo noticiou um estudo da Paris Group. Seção é o grupo de eleitores que vota numa mesma urna. Flávio Bolsonaro teve zero voto em 106 seções do segundo turno, nas quais Lula somou 14.860 votos. Lula teve zero voto em quatro. Refiz as duas contagens com os dados abertos do TSE e cheguei aos mesmos números. Seções zeradas também apareceram em 2018 e 2022, dos dois lados, mas quase todas foram zeros do lado do PL.

Pelos cadastros oficiais, a maioria das 106 fica em aldeias indígenas ou comunidades quilombolas. Nenhum dos meus modelos prevê quais seções terminam em zero. Nenhum deles consegue representar uma comunidade inteira votando do mesmo jeito, e esse limite não diz nada, nem a favor nem contra, sobre a apuração. Nas aldeias dos cadastros oficiais que dá para acompanhar de 2022 a 2026, onde ficam 36 das 106, a taxa de seções zeradas quase não mudou. Todas as checagens de consistência que rodei entre os arquivos publicados passaram. Isso não mostra o que o eleitor digitou, e eu não verifiquei os arquivos assinados das urnas.

Principais achados

  1. No segundo turno de 2026, Flávio Bolsonaro não teve nenhum voto em 106 seções, nas quais Lula somou 14.860 votos. Lula não teve nenhum voto em 4 seções, nas quais Flávio Bolsonaro somou 296 (scale.csv). #
  2. Jair Bolsonaro teve 328 seções zeradas em 2018, pelo PSL, e 143 em 2022, pelo PL. Flávio Bolsonaro teve 106 em 2026. Os candidatos do PT, Fernando Haddad em 2018 e Lula depois dele, tiveram 4 em cada um desses anos (scale.csv). #
  3. Pelos cadastros oficiais, das 106, 64 ficam em aldeias ou comunidades indígenas, 16 em comunidades quilombolas, 19 em outros locais rurais ou ribeirinhos e 1 em área urbana. Das outras 6, 2 são presídios pelo tipo oficial do local, e 4 não têm coordenada utilizável e foram classificadas pelo nome, 3 como indígenas e 1 como rural. As 4 de Lula ficam em 3 locais rurais e 1 urbano (m5b_zero_sections_categories.csv). #
  4. No modelo de melhor pontuação, acrescentado depois que vi os resultados, 2026 teve 106 seções zeradas contra 10,8 esperadas para Flávio Bolsonaro, e 4 contra 0,4 esperadas para Lula. Em 2022, o mesmo modelo esperava 32,7 contra 143, e 2,4 contra 4. O mesmo modelo também ficou abaixo do observado do lado do PL em 2018 e 2022 (observed_vs_expected.csv). #
  5. Em 503 locais de votação que são aldeias indígenas pelos cadastros e que podem ser acompanhados de 2022 a 2026, a taxa de seções zeradas do lado do PL foi de 3,6% em 2022 e de 3,4% em 2026. O lado do PT não teve nenhuma nos dois anos. Esses locais reúnem 36 das 106, e acrescentei essa comparação depois de ver os resultados (m5b_panel_2022_2026.csv). #
  6. No segundo turno de 2026, 1.931.103 contagens de votos da tabela de boletins de urna publicada pela Justiça Eleitoral batem com o arquivo de seções, sem nenhuma diferença, e a soma das seções bate com todos os 12.584 totais publicados por município, zona e candidato (consistency_summary.csv). #

A história completa

Uma seção com zero voto para um candidato pode parecer erro de contagem. Os limites do que conferi vêm primeiro. Todo registro público de um voto vem da própria urna: o boletim que ela imprime, o registro digital do voto e os logs. Conferi que as tabelas publicadas batem entre si e com a tabela de boletins da Justiça Eleitoral. Isso não mostra o que cada eleitor digitou, e eu não verifiquei os arquivos que as urnas assinam. Não tomo partido nesta eleição.

O que foi dito

Em 27 de outubro de 2026, a coluna Painel da Folha de S.Paulo informou que Flávio Bolsonaro (PL) "não obteve nenhum voto em 106 urnas, no segundo turno", que "juntas, registraram 14.860 votos para Luiz Inácio Lula da Silva (PT)". Atribuiu o dado a um levantamento da Paris Group. Disse que Lula não teve nenhum voto em quatro urnas e localizou 65 das seções zeradas de Flávio Bolsonaro no Norte e 29 no Nordeste. Outra reportagem, que não diz quem fez o levantamento, afirmou que 62 ficam em locais identificados como escolas, aldeias ou postos de saúde indígenas. E acrescentou que os dados "não indicam, por si só," fraude ou irregularidade.

O que eu verifiquei

Usei os arquivos por seção dos segundos turnos de 2018, 2022 e 2026 do Portal de Dados Abertos do TSE, a tabela de boletins de urna de 2026 e o cadastro de locais de votação. Em cada ano comparo os mesmos dois lados. O lado do PL é Jair Bolsonaro em 2018 e 2022 e Flávio Bolsonaro em 2026. Em 2018, Jair Bolsonaro concorreu pelo PSL, mas chamo esse lado também de lado do PL, para alinhar os anos. O lado do PT é Fernando Haddad em 2018 e Lula em 2022 e 2026. Zero quer dizer nenhum voto para o candidato numa seção em que pelo menos um voto foi para algum dos dois. Votos brancos e nulos não contam.

Escrevi as perguntas, os modelos e os testes no EXPERIMENT.md antes de calcular qualquer resultado. Não congelei esse texto com um hash na época, então isso depende da minha palavra. O FINDINGS-v2.md traz todos os números, inclusive os detalhes que deixo de fora aqui.

As contagens batem exatamente (scale.csv). Lula venceu o segundo turno por 4.430.191 votos, 64.256.232 a 59.826.041, segundo o relatório nacional de totalização do TSE. Os 14.860 votos nas seções zeradas de Flávio Bolsonaro são 0,34% dessa diferença.

Antes da votação publiquei uma previsão selada que dava a Flávio Bolsonaro 84,6% de chance de vencer. Lula venceu. A previsão é avaliada na própria página, e o erro dela diz respeito à minha previsão, não à apuração. Arquivo este texto junto da previsão porque ele olha para a mesma eleição. Ele não avalia a previsão.

Onde estão as seções zeradas

As 106 seções zeradas de Flávio Bolsonaro ficam no Norte (65), no Nordeste (29), no Centro-Oeste (6), no Sul (3) e no Sudeste (3). As 4 de Lula ficam em dois estados, duas no Norte e duas no Sul (zero_by_region_2026.csv).

Classifiquei os locais primeiro pelos nomes, depois conferi com cadastros oficiais: localidades e setores do Censo 2022 do IBGE, terras e aldeias indígenas da FUNAI e territórios quilombolas do INCRA. Um local recebe a categoria do cadastro quando sua coordenada cai dentro de uma dessas áreas ou a até 1 km de uma localidade do Censo. Fixei essa regra no EXTERNAL-CHECK-PLAN.md antes de rodá-la.

Local, pelos cadastrosSeções de 2026 com voto válidoZero para Flávio BolsonaroZero para Lula
------:---:---:
Aldeia ou comunidade indígena1.662670
Comunidade quilombola3.455160
Presídio ou unidade de detenção26320
Outro local rural ou ribeirinho41.603203
Escola indígena urbana3.64200
Urbano443.92811
Demais seções sem coordenada utilizável4.65200

A tabela vem do zero_sections_by_category.csv. Cinco das 110 seções zeradas não têm coordenada utilizável e foram classificadas pelo nome ou pelo tipo oficial do local. Deixando de fora as 4 classificadas pelo nome, os cadastros e a minha leitura pelos nomes concordam em 103 das 106 seções zeradas restantes, somando os dois lados, sobre se o local é indígena (m5b_zero_sections_agreement_summary.csv). A maioria dos rótulos quilombolas se apoia só na regra de 1 km, e não validei essa categoria à parte.

No primeiro turno, essas seções votaram de forma parecida. Flávio Bolsonaro não teve nenhum voto em 50 das 106, e teve menos de 5% em 102. Nenhuma teve 10% ou mais, o limite que fixei antes. Lula não teve voto no primeiro turno em nenhuma das suas 4 (diag_round1_share_2026_zero_sections.csv). Essa comparação não detecta algo que tenha afetado os dois turnos da mesma forma.

Minha leitura: as seções zeradas ficam sobretudo em comunidades rurais e tradicionais, onde votos de um lado só se repetem. Os arquivos não dizem por que uma comunidade vota como vota.

No explorador abaixo, dá para comparar seções zeradas observadas e esperadas por ano, lado e modelo, e consultar os totais do segundo turno de 2026 em qualquer município, com os menores agrupados por estado.

Explore as seções com zero voto

Seções com zero voto observadas e esperadas, por ano e lado

Um gráfico pequeno por modelo. O ponto cheio é o número de seções com zero voto observado, o ponto vazado é o número que o modelo espera. A escala é logarítmica: cada passo é dez vezes o anterior. Seções com pelo menos 1 voto válido.

Modelo B-place. 2018, Lado Bolsonaro: 328 observadas, 133,5 esperadas. 2018, Lado PT: 4 observadas, 3,3 esperadas. 2022, Lado Bolsonaro: 143 observadas, 43,6 esperadas. 2022, Lado PT: 4 observadas, 2,4 esperadas. 2026, Lado Bolsonaro: 106 observadas, 48,9 esperadas. 2026, Lado PT: 4 observadas, 1,9 esperadas.0,11101001.000Modelo B-place2018Lado BolsonaroEsperadas: 133,5Observadas: 328Lado PTEsperadas: 3,3Observadas: 42022Lado BolsonaroEsperadas: 43,6Observadas: 143Lado PTEsperadas: 2,4Observadas: 42026Lado BolsonaroEsperadas: 48,9Observadas: 106Lado PTEsperadas: 1,9Observadas: 4
Modelo BB-mun. 2018, Lado Bolsonaro: 328 observadas, 109,2 esperadas. 2018, Lado PT: 4 observadas, 4,6 esperadas. 2022, Lado Bolsonaro: 143 observadas, 14,8 esperadas. 2022, Lado PT: 4 observadas, 2,6 esperadas. 2026, Lado Bolsonaro: 106 observadas, 5,4 esperadas. 2026, Lado PT: 4 observadas, 0,4 esperadas.0,11101001.000Modelo BB-mun2018Lado BolsonaroEsperadas: 109,2Observadas: 328Lado PTEsperadas: 4,6Observadas: 42022Lado BolsonaroEsperadas: 14,8Observadas: 143Lado PTEsperadas: 2,6Observadas: 42026Lado BolsonaroEsperadas: 5,4Observadas: 106Lado PTEsperadas: 0,4Observadas: 4
Modelo BB-place. 2018, Lado Bolsonaro: 328 observadas, 206,6 esperadas. 2018, Lado PT: 4 observadas, 4,8 esperadas. 2022, Lado Bolsonaro: 143 observadas, 64,0 esperadas. 2022, Lado PT: 4 observadas, 2,7 esperadas. 2026, Lado Bolsonaro: 106 observadas, 65,4 esperadas. 2026, Lado PT: 4 observadas, 2,3 esperadas.0,11101001.000Modelo BB-place2018Lado BolsonaroEsperadas: 206,6Observadas: 328Lado PTEsperadas: 4,8Observadas: 42022Lado BolsonaroEsperadas: 64,0Observadas: 143Lado PTEsperadas: 2,7Observadas: 42026Lado BolsonaroEsperadas: 65,4Observadas: 106Lado PTEsperadas: 2,3Observadas: 4
Modelo EB-r1. 2018, Lado Bolsonaro: 328 observadas, 184,6 esperadas. 2018, Lado PT: 4 observadas, 4,9 esperadas. 2022, Lado Bolsonaro: 143 observadas, 32,7 esperadas. 2022, Lado PT: 4 observadas, 2,4 esperadas. 2026, Lado Bolsonaro: 106 observadas, 10,8 esperadas. 2026, Lado PT: 4 observadas, 0,4 esperadas.0,11101001.000Modelo EB-r12018Lado BolsonaroEsperadas: 184,6Observadas: 328Lado PTEsperadas: 4,9Observadas: 42022Lado BolsonaroEsperadas: 32,7Observadas: 143Lado PTEsperadas: 2,4Observadas: 42026Lado BolsonaroEsperadas: 10,8Observadas: 106Lado PTEsperadas: 0,4Observadas: 4
Os mesmos números em tabela
AnoLadoObservadasEsperadas, B-placeEsperadas, BB-munEsperadas, BB-placeEsperadas, EB-r1
2018Lado Bolsonaro328133,5109,2206,6184,6
2018Lado PT43,34,64,84,9
2022Lado Bolsonaro14343,614,864,032,7
2022Lado PT42,42,62,72,4
2026Lado Bolsonaro10648,95,465,410,8
2026Lado PT41,90,42,30,4

Fonte: observed_vs_expected.csv

Consulte um município

A tabela municipal completa (CSV)

O que os modelos dizem e o que não dizem

Para saber se 106 é muito, ajustei seis modelos. Cada um dá a cada seção uma chance de zero a partir do município, do local de votação ou dos votos da própria seção no primeiro turno, nunca do seu resultado no segundo. O que melhor se ajusta aos resultados por seção, por uma medida padrão chamada pontuação logarítmica, em todos os anos e dos dois lados, parte do município e se atualiza com os votos da seção no primeiro turno (model_scores.csv). Acrescentei esse modelo e mais um depois de ver resultados. Os modelos por local de votação que eu tinha planejado dão um zero como certo quando todas as outras seções do local são zeradas, o que é circular.

AnoLado do PL, observadoEsperadoLado do PT, observadoEsperado
------:---:---:---:
2018328184,644,9
202214332,742,4
202610610,840,4

Em 2026, todos os modelos esperam menos zeros do que os vistos, dos dois lados. O modelo mais próximo no total espera 65,4 zeros, mas só 18,2 deles caem nas 106 seções que foram zeradas (m1_expectation_decomposition.csv). Nenhum modelo que ajustei prevê quais seções terminam em zero. Nenhum consegue produzir uma comunidade inteira votando de um lado só.

Meu plano esperava que os modelos mais simples ficassem abaixo do observado todo ano, dos dois lados, e dizia que isso, sozinho, não significa nada. Do lado do PL, o número passou do limite de 99,9% de todos os modelos nos três anos. Do lado do PT, passou do de quatro dos seis em 2026 e de nenhum antes (observed_vs_expected.csv). Também escrevi, com antecedência, um teste para apontar um ano fora do comum. Ele apontou 2026 em 10 de 72 versões, todas do lado do PL, em parte porque compara cada lado com uma faixa definida pelos dois juntos. Comparando cada lado com o próprio passado, uma versão que acrescentei depois, ele aponta 2026 12 vezes do lado do PL e 9 do lado do PT. Em 5 de cada grupo, o modelo esperava menos de um zero, e aí poucos zeros já dão uma razão grande (u2_history_check.csv).

O que mudou em 2026

No melhor modelo, a razão entre zeros observados e esperados subiu dos dois lados de 2018 a 2026, de 1,8 para 9,8 do lado do PL e de 0,8 para 10,9 do lado do PT (ratio_bootstrap_places.csv). As duas altas não têm a mesma firmeza. Do lado do PL, a faixa de 95% de 2026, de 7,9 a 11,8, fica acima da de 2022, de 3,7 a 5,1. Do lado do PT, ela vai de 2,4 a 26,6 e se sobrepõe à de 2022, porque se apoia em 4 seções. Entre 2022 e 2026, os dois modelos por local de votação que planejei antes andam no sentido contrário para o lado do PL. O modelo por local que acrescentei depois sobe, de 9,9 para 13,3.

Onde a razão subiu, os zeros não subiram. O número do lado do PL caiu de 143 para 106, mas o esperado caiu mais rápido, de 32,7 para 10,8 (observed_vs_expected.csv). Em volta das seções zeradas do lado do PL, a votação típica desse lado no restante do município subiu de 20,1% para 27,4%. Com mais votos em volta, um zero parece menos provável, e os modelos esperavam menos zeros ali. O número do lado do PT ficou em 4, enquanto o esperado caiu de 2,4 para 0,4, e a votação típica do lado do PT no restante do município, em volta das suas seções zeradas, subiu de 25,3% para 37,6% (diag_local_share_in_zero_sections.csv).

A comparação mais limpa acompanha os mesmos locais. Em 503 locais de votação que são aldeias indígenas pelos cadastros e existem nos dois anos, a taxa de seções zeradas do lado do PL foi de 3,6% em 2022 (35 de 964) e de 3,4% em 2026 (36 de 1.067). Os intervalos de 95% vão de 2,4% a 5,0% e de 2,1% a 4,7%. O lado do PT não teve nenhuma seção zerada ali nos dois anos (m5b_panel_2022_2026.csv). Esses locais têm 36 das 106 seções zeradas de Flávio Bolsonaro. Em todas as aldeias dos cadastros, acompanhadas ou não, a taxa foi de 3,2% em 2022 e de 3,9% em 2026 (m4_counterfactual_reweighting.csv). Acrescentei as duas comparações depois de ver resultados.

Minha leitura: o que mudou em 2026 foi sobretudo o que os modelos esperam, e não a frequência com que esses locais votaram de um lado só.

O que os arquivos não mostram

Todas as checagens de consistência que rodei entre os arquivos publicados passaram (consistency_summary.csv). - 1.931.103 contagens de votos da tabela de boletins do segundo turno de 2026 batem com o arquivo de seções, sem nenhuma diferença. - A soma das seções bate com todos os totais publicados por município, zona e candidato, nos três anos. - Nenhuma seção, em nenhum dos três anos, tem mais comparecimento do que eleitores aptos.

Essas checagens comparam arquivos publicados por um mesmo sistema. Não mostram se uma urna registrou o que cada eleitor digitou, porque todo registro público de um voto vem da própria urna. Também não verifiquei os arquivos que cada urna assina: o boletim digital, o registro digital do voto e os logs. Eles são públicos, de 0,2 a 25,8 GB por estado. Não consegui conferi-los, porque as páginas da Justiça Eleitoral que descrevem o formato bloquearam meus downloads automáticos, e não achei uma ferramenta pública para verificá-los (consistency_checks_not_run.csv).

As outras partes também têm limites. Minha leitura pelos nomes acha cerca de 41% dos locais que os cadastros marcam como indígenas, embora os cadastros concordem com cerca de 96% dos locais que ela marca (m5b_text_rule_census.csv). O lado do PT se apoia em 4 seções por ano, pouco para uma conclusão firme. Nada disso é um veredito sobre a apuração como um todo. Responde a uma afirmação, com os arquivos públicos.

Confira você mesmo

Dá para conferir uma seção sem programar nada, se você tiver a foto de um boletim impresso. Cada urna imprime um boletim com um QR Code no final. O aplicativo Boletim na Mão, da Justiça Eleitoral, lê esse código e permite ao eleitor "obter e visualizar uma cópia digital dos boletins de urna". Depois, dá para comparar com os resultados em resultados.tse.jus.br.

Para refazer o experimento, baixe o pacote em /labs/2026-10-zero-vote-sections/ e rode o script run_all.sh, que baixa os arquivos públicos, confere os hashes e reconstrói todas as tabelas. O REPRODUCE.md traz os requisitos e diz quais tabelas dependem de arquivos que não publico.

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